Neymar ignora pedidos da diretoria do PSG

O brasileiro se recusa a declarar lealdade ao clube de Paris, como querem os dirigentes, que consideram pedir 370 milhões de euros por rescindir o contrato antes de setembro

Na ausência de uma declaração verbal, essa é a mesma atitude que Neymar demonstra em Paris desde que desembarcou procedente do Brasil, em 4 de maio, envolto em uma nuvem de rumores que o colocam no Real Madridna próxima temporada. “Neymar enlouqueceu”, diz um funcionário do Paris Saint-Germain para explicar o comportamento evasivo do rapaz aos repetidos pedidos da diretoria que, sob o pretexto de ansiedade da torcida, insiste que ele declare publicamente o seu compromisso com o clube, pelo menos nas redes sociais.

Neymar ignora a solicitação. Ele também não fez nada para se preparar para jogar as duas últimas partidas oficiais do PSG nesta temporada. Os médicos do PSG, de acordo com os preparadores físicos, disseram ao presidente Nasser al-Khelaifi que, se Neymar tivesse uma reabilitação rápida, poderia terminar o ano jogando com a camisa do clube que lhe garante a renda líquida anual de de 47 milhões de euros (188 milhões de reais). Esses especialistas apontaram que a fratura que sofreu no pé direito em 25 de fevereiro não tinha por quê invalidá-lo por três meses. Ressaltaram que, se tivesse começado a trabalhar na academia em meados de abril, poderia ter jogado alguns minutos da final da Copa da França na terça-feira 15, e na última jornada da Liga, no dia 19 de maio em Caen.

O PSG lembrou Neymar da importância que teria para o clube de seu reaparecimento antes da Copa do Mundo. Mas o jogador preferiu se calar. Diante do desespero dos diretores, em março e abril, tudo o que ele fez foi adiar prazos, descansar e fazer fisioterapia na maca. O tipo de tratamento que os médicos do PSG desencorajaram, mas que foi aprovado pelo traumatologista da seleção brasileira, dr. Rodrigo Lesmar.

Os dirigentes do PSG ficaram desapontados. Precisam de algo mais explícito. Sugeriram, em até três ocasiões, que fizesse uma declaração mais ampla nas redes sociais, em uma entrevista ou em um vídeo para o canal privado do clube. Neymar, como resposta, exibiu seu famoso meio sorriso. A mesma expressão com que olhou para o presidente Al-Khelaifi e sua comitiva quando o visitaram em sua casa, no Brasil, meses atrás, e o incentivaram a reafirmar publicamente sua lealdade ao PSG “para acabar com os rumores”

O silêncio desanimou todo o grupo. O diretor esportivo Antero Henrique, o diretor de comunicação Jean-Martial Ribes, o adjunto da diretoria desportiva Maxwell Scherrer e o próprio Al-Khelaifi sentiram que o homem que representa praticamente a totalidade do projeto ameaçava deixá-los na mão. A frieza da recepção foi tanta que eles pensaram que Neymar não gostou da presença da delegação no Brasil, aonde teriam ido preocupados com sua saúde depois da operação. Tentaram convencê-lo a voltar para Paris o mais rápido possível com o argumento de que a primavera é a estação mais suave. Neymar, no entanto, adiou seu retorno por três semanas depois da data prevista.

Por Diego Torres/ brasil.elpais.com/Foto: Reprodução / Twitter (@neymarjr)

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