Coronavírus: polêmica sobre o tratamento precoce

A pandemia invadiu a vida do mundo sem avisar e trouxe consigo lições de que é preciso parar para refletir sobre a urgência em desacelerar a vida, respirar fundo, ouvir a própria voz, cuidar da veracidade das informações, absorver positividades e se preparar para dias ainda mais adaptáveis daqui para frente

Um embate notório entre profissionais e cidadãos que defendem o tratamento precoce no enfrentamento do novo Coronavírus, gerador da doença Covid-1-9, sobre o qual se relata nos pacientes acolhidos desde os primeiros sintomas, a evolução é acompanhada sistematicamente e cada fase da doença é tratada o mais precoce possível, prevenindo internações e evitado óbitos, e os que atacam de forma veemente o tratamento precoce, em face de, entre outras razões, uma possível ineficiência e o aparecimento de eventuais interferências no coração, fígado e nos olhos.

O significado da palavra precoce aborda ser tudo aquilo que acontece antes do tempo normal, ou seja, tudo que é prematuro, antecipado. Desta forma, todo tratamento iniciado antes do tempo, antes do agravamento dos sintomas, configura um tratamento precoce. Ocorre que acabou-se por empreender o termo tratamento precoce como sinônimo para o tratamento da Covid-19, ao qual está incluída a aplicabilidade de cloroquina/hidroxicloroquina e não os demais tratamentos também manuseados e que são precoces, assim explica o diretor técnico do Centro de Triagem para a Covid-19, em Lages, Leonardo Coelho. O Centro de Triagem está localizado nas instalações do antigo Pronto-Atendimento (P.A.) Tito Bianchini, centro da cidade, com funcionamento diariamente, incluindo finais de semana e feriados, 24 horas por dia.

Desde o início das atividades do Centro de Triagem para a Covid-19, em 30 de março, cada paciente que procurou este local foi avaliado e tratado na sua individualidade, recebendo orientações, medicamentos e exames adequados ao momento em que se encontrava seu estado de saúde. Não existe uma determinação do Ministério da Saúde (MS) para adesão prática ao tratamento precoce, e sim uma orientação de quais medicamentos podem ser administrados e em qual período oportuno para iniciá-los.

Cada médico está livre para exercer a medicina, e em comum acordo com seu paciente fazer uso da medicação que julgar necessária. Alguns têm optado pelo início com cloroquina, outros já utilizaram no início e já abandonaram por observar a inefetividade da medicação, e outros não concordam com o uso. No Centro de Triagem todos os médicos são livres para prescrever ou não o tratamento precoce, pois há, naquele ambiente, médicos que são favoráveis.

O Centro de Triagem está com 18 médicos em atuação atualmente, mas já se chegou a ter 28 médicos, sendo que alguns às vezes fazem o emprego do tratamento precoce ministerial. “Contudo, todos têm a livre conduta de orientação, medicação e exames, conforme a situação dos pacientes”, alerta o diretor técnico do Centro de Triagem, Leonardo Coelho.

A diferença entre o tratamento precoce para os demais tratamentos de combate à Covid-19 é basicamente, neste caso, o uso da cloroquina/hidroxicloroquina nos primeiros dias de sintomas da doença. Os demais remédios são sintomáticos, analgésicos, relaxantes musculares e vitaminas.

Conforme o protocolo do Ministério da Saúde (MS), os medicamentos considerados de tratamento precoce são Azitromicina, Dipirona, Paracetamol ou antigripais, Sulfato de Zinco, Vitamina D e Cloroquina/Hidroxicloroquina. Estão disponíveis à população na Farmácia Básica do município de Lages os seguintes: Azitromicina, Dipirona, Paracetamol ou antigripais e Cloroquina/Hidroxicloroquina. Porém, a Farmácia Básica oferece, também, os medicamentos Oseltamivir (Tamiflu), Enoxaparina, Amoxicilina, Levofloxacino, Ceftriaxona e Diclofenaco, dentre outras opções para o combate à Covid-19 e suas complicações.

Os possíveis benefícios seriam a diminuição dos sintomas e das possíveis complicações da Covid-19, restabelecendo o paciente mais rapidamente. “Cabe ressaltar que comprovar a eficácia e a eficiência de medicamentos requer, em geral, estudos complexos, baseados em ensaios clínicos, com número específico de pacientes, para se atingir um padrão ouro”, pontua Leonardo Coelho.

Mas e aí, faz efeito ou não? Adianta ou não?

Existem relatos de médicos em relação às vantagens do tratamento precoce no sentido de o paciente ter a doença de forma mais branda e suave, e sobre pacientes acolhidos desde os primeiros sintomas, em que a evolução é acompanhada sistematicamente e cada fase da doença é tratada o mais precoce possível, e que, assim, previne-se internações e evita-se óbitos. E no âmbito dos eventuais problemas causados pelo tratamento precoce está o de surgir o agravamento de retinopatias (formas de lesões não inflamatórias da retina ocular), intoxicações hepáticas (fígado) e interações medicamentosas.

A existência ou não de risco no tratamento precoce é a questão mais controversa, pois há estudos que demonstram a ineficácia do tratamento precoce e que os riscos-benefícios são maiores em vista da não utilização, bem como, que precisa-se ter cuidado na aplicação dos medicamentos, principalmente na questão do acompanhamento deste paciente durante o tratamento, o que se torna praticamente inviável de ser realizado no Sistema Único de Saúde (SUS), devido à demanda de pacientes, de acordo com as informações do diretor técnico do Centro de Triagem, Leonardo Coelho.

O acompanhamento seria de laboratório de rotina e por realização de eletrocardiograma no primeiro, terceiro e quinto dias de uso das medicações, para avaliação das possíveis arritmias do coração, mediante preconização pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Além disto, observar as diversas interações medicamentosas da cloroquina com os principais medicamentos aproveitados nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

E a vacina?

De acordo com Governo Federal, no início de agosto foi assinado um acordo para transferência de tecnologia no valor de R$ 1,9 bilhão que garante ao país a aquisição e produção de 100 milhões de doses da vacina contra a Covid-19, produzida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca. A vacina passa por testes para comprovar sua eficácia.

Texto: Daniele Mendes de Melo

Fotos: Divulgação

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